
Para quem vive em LA nos EUA e realmente esta antenado com a arte contemporânea, gosta de ilustração, quadrinho e tudo o mais. Existem muitas opções, e as melhores possíveis, de galerias, undergrounds ou não, sobre tais assuntos. Uma delas me chamou novamente a atenção por manter um grupo de alto nível de artistas. E também por um deles ser um brasileiro, João Ruas.
Thinkspace by Thinkspace:
Criada em novembro de 2005, Thinkspace existe como um catalisador para a nova arte contemporânea, movimento esse cada vez maior, que está explodindo diante das ruas e escolas de arte em todo o mundo. Estamos aqui para ajudar a representar esta nova geração de artistas, para fornecer-lhes a fonte inicial e à ajuda-los na sua construção. Coletar a base necessária para o seu crescimento a longo prazo.
Nosso objetivo é ajudar esses novos talentos a brilhar e proporcionar-lhes uma auto definição, provar a si próprios suas capacidades e desenvolvimento. É nossa esperança e sonho que, através destas oportunidades esses indivíduos irão continuar a prosperar e crescer para surpreender a todos nós. Com o amor de e para a nossa comunidade, e com o talento de tantos artistas incríveis envolvidos, acreditamos que este movimento irá fornecer o crescimento necessário de idéias. Os sonhos de hoje tornar-se-ão os alicerces de um novo amanhã.
A galeria de artistas da Thinkspace absorve nomes que já a algum tempo ouvia falar e ainda outros tão talentosos quanto, a exemplo da Audrey Kawasaki, que já tanto comentei antes em outros posts. Pra quem interessa em ver o trabalho dessa galera: Artists Thinkspace.
Muitos dos quais, sem dúvida alguma, eu retornarei a falar. Mas ja que toquei no nome de João Ruas e tenho ficado cada vez mais admirada com seu trabalho, hoje dedico esse espaço a ir mais a fundo no seu percurso.
Entrevista com João Ruas para a Designfederation:
Qual é o seu nome e onde você vive?
Meu nome é João Paulo Alvares Ruas, tenho 28 anos, nasci e vivo atualmente na cidade de São Paulo, Brasil.
Onde você aprendeu a sua profissão?
Espero que não soe arrogante, mas eu acho que eu aprendi muito bem tudo o que sei por mim mesmo. Eu realmente acredito que o mesmo acontece para qualquer artista, não importa que você vá para a escola, você sempre aprende com seus erros e a sua vontade dita qualquer sucesso. Oficialmente, eu tenho um diploma de bacharel em Design, ainda cursos em instituições de curto prazo e meu curso técnico do ensino médio, que tinha ” Desenho de Comunicação ” como tema.
Qual é o seu meio artístico favorito?
Apesar de utilizar ferramentas digitais com mais frequência do que qualquer outra coisa, a minha verdadeira paixão são lápis, aquarela e guache, na maioria das vezes combinados.
Lápis são os mais básicos, e, ao mesmo tempo, permite a uma linha completa de expressão para intrincados detalhes.
Quando eu uso aquarelas parece que não estou sozinho, a tinta está viva. Você não pode fazer a mesma pincelada, duas vezes, ele reage a tudo, a partir da humidade do ar à idade do papel que você escolheu. Eu realmente gosto da sensação de confiar em seus sentidos e intuições enquanto pinta com aquarela.
Eu comecei usando guache, quando eu percebi que não poderia utilizar adequadamente acrílicos (ainda não posso) e opacos, alguns meios necessários para completar as minhas aquarelas. Guache é meu favorito hoje em dia, dá-me uma grande gama de opacidade, mesmo impastos, e que mistura muito bem com as aquarelas sobre papel.
Você sempre esteve focado nesta área específica?
Sim e Não. Eu nunca deixei o desenho e a pintura, mas durante a faculdade eu experimentei o design em alguns empregos e nunca fui satisfeito profissionalmente. Pensei então na minha grande admiração pela concepção visual e não era suficiente o que vinha fazendo ate então (mais pelos diretores de arte) e então meu foco deslocou-se para o concept design e a ilustração. Fui para Londres para trabalhar com o concept design para jogos (permaneci lá por três anos) e o engraçado é que hoje em dia, depois de eu ter deixado os jogos, eu muitas vezes trabalho em estilo molduras para motion graphics projects, mas com um estilo mais ilustrativo. No entanto, a minha intenção é que um dia eu trabalhe o tempo inteiro em ilustrações para a mídia impressa e em projetos pessoais.
De quem é o trabalho que lhe diz mais coisas?
Eu admiro muitos artistas, a era dourada da ilustração como um todo, parece-me … JC LEYENDECKER, Franklin Booth, Joseph Clement Coll, Ivan Bilibin, Arthur RACKHAM, Howard Pyle, Norman Rockwell, etc … e tambem Degas e Whistler. Meu favorito nos tempos modernos são Robert McGinnis, Kent Willians e Phil Hale.
Seu trabalho parece ser inspirado por uma variedade de fontes – ficção científica, cyberpunk, fantasia, os tempos antigos e nos anos passados. O que sobre essas coisas te atraem?
Eu não tenho padrão de ficção científica, fantasia ou qualquer gênero CGTalk, a maioria deles nunca são crível, pelo menos para mim. Gosto de dar um novo jeito as coisas. Mais do que qualquer um desses gêneros e definições, gosto da capacidade de criar alguns absurdos, mas ainda crível na realidade, a partir do zero. Acabei de tentar enviar estes loucos pensamentos para o papel … fazendo jogos foi divertido porque essas idéias poderiam chegar a algum tipo de vida.
O que você esta trabalhando no momento?
Tenho um punhado de projetos pessoais que, por vezes, evoluem, outras vezes não. Eles incluem duas idéias de
graphic novel, uma sobre cosmonautas russos de esquerda no espaço e como o comunismo ruiu, um outro é um conto de fadas para adultos sobre uma vila com um farol que começa a ser visitada por criaturas da floresta… e demonios piratas. Ainda estou sempre fazendo trabalhos de freelancer.
Como foi ganhar os prêmios na Spectrum?
Foi realmente uma surpresa completa. É uma grande honra ter ganho algum tipo de adjudicação ao espectro.
As pessoas podem comprar em qualquer lugar impressões do seu trabalho?
Ainda não. Eu terei um bom site no próximo mês…
Você tem algum conselho para as pessoas que desejam fazer uma carreira na ilustração? 
Bem ainda estou tentando ganhar a vida com isso, mas assim mesmo: prática, definir suas metas elevadas, criticar e acreditar em si mesmo.
Desde que James Jean anunciou que deixaria as belíssimas capas de Fábulas, da Vertigo, os fãs queriam saber quem iria substituí-lo. Afinal, ele ganhou o prêmio de melhor capista por cinco anos consecutivos no Eisner Awards enquanto trabalhava na revista. E inegavelmente também sou uma grande fã do seu talento.
A difícil tarefa de substituí-lo ficou com… Um brasileiro. E adivinha quem? João Ruas, responsável pelas capas de Fábulas a partir da edição 82.
Bill Willingham, o criador e escritor de Fábulas, revelou em entrevista como chegou ao brasileiro: “Descobri o trabalho dele online. Deve ter sido um dos membros do meu fórum que me apresentou. Pedi a Shelly Bond que o encontrasse e ela conseguiu. Não tenho idéia de quais trabalhos nos quadrinhos ele já fez (se fez) até hoje, mas suspeito que veremos mais dele em breve”.
Ruas, em conversa exclusiva com o Omelete, completa a história: “A Shelly Bond, editora da Vertigo, me ligou um dia fazendo a proposta. Aparentemente eu fui indicado pelo Bill Willingham”.
Ruas – que tem 28 anos, mora em São Paulo e trabalhava nos estúdios de motion design Vetor Zero e Lobo – diz que sempre gostou de quadrinhos (especialmente os da Vertigo), embora esteja afastado deles nos últimos anos. Seu primeiro trabalho publicado nos EUA foi na coletânea 24Seven, com histórias de robôs, escritas pelo americano Ivan
Brandon.
Ele confessa que tem certo temor em seguir os passos de James Jean, mas, acima de tudo, o admira. “Ele é talvez o mais proeminente ilustrador da atualidade. Não o considero uma influência, porém. Enxergo muito mais referências de ilustradores antigos, desde Gustave Doré até Norman Rockwell e J.C. Leyendecker, no meu trabalho. Talvez meu estilo e o do Jean possam ser considerados próximos pelo interesse em experimentar com elementos gráficos e ilustrações, mas isso é campo comum entre muitos.”
Ruas está envolvido em outros projetos de pintura e ilustração, bem como no projeto de um filme brasileiro sobre o qual ainda não pode dar comentários. Ele publica suas ilustrações em seu próprio site. Vale a pena conferir o belo trabalho do brasileiro, elogiado pelo próprio Bill Willingham na entrevista à IGN Comics: “O melhor no trabalho do João é que ele não é outro James Jean e nem tenta ser. Ele é ele mesmo e não uma imitação mal feita de alguém. Sabíamos que nunca encontraríamos outro James Jean, por isso nem tentamos.”
Willingham ainda diz que as capas de Ruas estréiam no meio do primeiro crossover da série, chamado ironicamente de “The Great Fables Crossover”. A história começa em Fables #82 e segue pela minissérie The Literals e pela série-irmã
Jack of Fables, entre abril e junho. Vale lembrar também que Fábulas está a caminho da adaptação para uma série de TV.
Partes dos textos extraídos do site Omelete.
E quem gosta de conferir os processos de montagens das exposições e novidades na área, o blog da cena contemporânea em los angeles: Sour Harvest.