
Sede de selos independentes de ótima estrutura, a cidade abriga ainda alguns dos principais festivais musicais do país: Bananada e Goiânia Noise, Circuito Decibélica, e o mais novo Grito Rock, que foi interativo em algumas capitais. E festivais consagrados no centro – oeste como: Marmelada, Brutal Fest, 1º Festival de Punk Feminino, este ano a 3º Edição do Tattoo Rock Fest, Thrash Core Fast que está na 2º edição, Domingo Rock, e assim se estende uma extensa lista dos mais variados festivais Goianos.
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E com disponibilidade de locais bem organizados, como o Centro Cultural Oscar Niemeyer, Centro Cultural Martim Cererê, Clube Social Feminino, DCE da UFJ, DCE da Católica, contando também com espaços menores como Capim Pub, o Porão, Ambiente skate shop, entre outros.
Lembrando que grandes nomes da arte também surgiram de lá, quem nunca ouviu falar em Siron Franco. O pintor goiano Siron Franco que é hoje reconhecido internacionalmente, com várias exposições no Exterior e obras espalhadas por coleções e acervos de museus na Europa e nas Américas. Também conta com uma presença sólida de sua obra junto a colecionadores brasileiros e, em especial, nos acervos dos museus mais importantes do Brasil. Leia mais sobre esse artista no fim da página.![]()
Mas não so de Siron gostaria de comentar, seu trabalho tem um aspecto peculiar, mas gostaria de trazer esse cenário artistico de goiânia em algo ainda mais contemporâneo.
Por isso introduzo um novo personagem da ilustração no Brasil. Já ouviu falar no Yolk’s Yogurt? Não? O trabalho realizado por Jovan de Melo segue a linha “faça você mesmo”, o que, num mercado cheio de talentos, mas super restrito no Brasil, não deixa de ser rock.
Jovan de Melo
O goiano Jovan, 22, é o responsável pelo Yolk’s Yogurt, blog, futuro site, onde publica seu estilo peculiar de desenhar, chamando a atenção de muita gente. Num país em que a criatividade bate forte, quadrinistas que fazem fama lá fora, é uma grata revelação e merece ter sua obra conferida.
Em uma entrevista Jovan fala sobre o surgimento do blog, as outras atividades que desenvolve, mercado de desenhos no Brasil e influências, entre elas Tara McPherson – artista plástica autora de cartazes de shows de Futureheads, Queens Of The Stone Age, Stills, Air, Rapture, Strokes, Dandy Warhols e Interpol (Mas essa é assunto para outro topico). E não é rock? A seguir, o papo completo.
Como surgiu a idéia de criar o Yolk’s Yogurt?
Nunca realmente pensei em criar o Yolk’s Yogurt. Há alguns anos, uma amiga me falou para criar um fotolog para postar meus desenhos, que na época eram bastante diferentes do que são hoje. Antigamente guardava todos os desenhos que fazia, pouco mostrava às pessoas. Pela necessidade de postar algo de vez em quando, comecei a fazer desenhos para o fotolog. Com o tempo, acabei desenvolvendo um estilo de desenhos mais característicos e pela sua repetição no fotolog, acabou se tornando o estilo de desenhos do Yolk’s Yogurt.
Apresente o Yolk’s Yogurt pra quem não conhece… Um blog? Um estilo de desenhar?
Oi, esse é o meu fotolog que um dia será um site: Yolk’s Yogurt… (risos). É difícil tentar descrever algo que acaba sendo parte da gente. Às vezes imagino que o Yolk’s Yogurt é o momento em que você realiza algo, e que tudo ao seu redor acabar perdendo o valor, e aquele pequeno momento, dura por um longo tempo.
Fale de quando e como surgiu seu interesse pelos desenhos. Quais outros trabalhos você faz?
Desde pequeno tive interesse em desenhos. Mas nunca pensei que um dia poderia viver disso. Ainda não dependo de meus desenhos como fonte de renda, mas espero que um dia consiga. Já fiz alguns trabalhos de ilustração para cartazes de shows, fanzines, revistas e um livro. Mas ainda estou longe de viver como ilustrador. Sou formado em design gráfico (com habilitação em artes visuais pela Faculdade de Artes Visuais, Federal de Goiânia), mas a parte de ilustração sempre o que me despertava maior interesse. Mesmo fazendo faculdade de design gráfico não pensava em viver como ilustrador, faz pouco tempo que realmente estou me voltando para essa área.
Existe mercado para quem quer trabalhar com desenho no Brasil?
Acredito que sim, não é simples, mas acho que se pode. Acaba sendo um pouco complicado porque boa parte dos clientes
brasileiros ainda não paga muito bem. Conheço alguns ilustradores brasileiros que conseguem viver apenas de seus desenhos, mas eles não se restringem apenas ao mercado brasileiro. Minha experiência no mercado brasileiro de ilustração ainda não é muito boa para dar uma resposta certa.
Qual dica você daria para quem tem vontade de seguir nessa área?
Pratique bastante. Não se prenda somente a artistas contemporâneos, estude história da arte porque tudo se repete. Divulgue seu trabalho. E tenha contato com outros ilustradores.
Já pensou em transformar seus desenhos em animação?
Já. Mas muitas das vezes acabava ficando apenas em idéias. Tenho muita vontade de trabalhar com animação. Já fiz algumas para trabalhos, e fiz também para meu trabalho de conclusão de curso, mas nunca tive tempo para desenvolver
um projeto com meus desenhos.
Alguns desenhistas brasileiros conseguem certo destaque. Alguns já figuraram em HQs da Marvel, DC Comics, outros se destacam com caricatura, há o Ziraldo, o Maurício de Souza… Você se inspirou em alguém específico? Teve algum ídolo, mesmo que estrangeiro?
Acho que não me inspirei em alguém específico, mas como não se cria algo do nada, fui alterando meu traço a cada pequena qualidade que notava em alguns ilustradores dos quais gosto. Alguns de meus favoritos são: Adam Pekalski, Adrian Johnson, Amedeo Modigliani, Anne Julie, Arthur de Pins, Bill Waterson, Chris Appelhans, Jean-Michel Basquiat, Jon Burgerman, Kurt Halsey, Luke Chueh, Mark Rothko, Mark Ryden, Mucha, Rebecca Dautremer, Sam Brown, Tara McPherson. Existem vários dos
quais admiro alguns pequenos detalhes, mas a lista seria grande.
Você realiza alguma outra atividade além de desenhar?
Por enquanto ainda não trabalho apenas com ilustração. Tenho trabalho fixo, oito horas por dia (um pouco mais às vezes), numa agência aqui em Goiânia, desenvolvendo multimídia. Faço trabalhos de freelancer de vez em quando como sites, cartazes, marcas e coisas assim. E o tempo livre que tenho é para tentar estudar um pouco mais de ilustração e animação.
Projetos para 2007?
Fazer o site do Yolk’s Yogurt que há muito tempo tenho vontade, mas acabo sempre deixando de lado. Tenho um projeto
de uma animação com alguns amigos. E tentar realmente trabalhar como ilustrador.
Quer deixar algum recado?
Quero pedir desculpas às pessoas que me pedem desenhos e eu não os faço. Acabo não tendo muito tempo para fazê-los, e quando tenho, acabo fazendo outros desenhos. Sou muito esquecido e desligado com o tempo, e se aceitar fazer o seu desenho, irei demorar muito tempo. Por isso tento não aceitar fazer desenhos, fora trabalhos, por encomenda.
Entrevista JOVAN DE MELO / YOLK’S YOGURT
André Azenha
E pra quem gosto do trabalho de Jovan não deixem de conferir seu site e suas animações.
Performance ao vivo de Carlos Vitorino e Vagner Rosafa no espetáculo “Lendas Indígenas e Músicas Afro-brasileiras para canto e piano”. Composição sobre a lenda indígena amazônica do pássaro encantado “Uirapuru”. Animação por: http://jovan.nitrocorpz.com , http://suryara.carbonmade.com e http://www.virgiliovasconcelos.com
Exploding Dog
Ainda assim gostaria de colocar mais um nome, Exploding Dog, o primeiro nome que se vem a cabeça quando vejo a arte de Jovan de Melo, e também uma de suas grandes influências.
“Denver Colorado, tenho um desenho no show Failure show de Lab at Belmar. Oi meu nome é Sam Brown, eu faço desenhos, a partir de seus títulos. Envie-me um título, ou qualquer outra coisa. ” Tudo que Sam Brown diz sobre ele mesmo em seu site.
Explodingdog é o nome de um site na Internet executado por Sam Brown, pseudônimo de Adão Culbert. Leitores do site mandam-lhe e-mails com frases curtas para inspiração, e ele escolhe para ilustrar alguns. Os desenhos são geralmente tiradas no computador e são conhecidos pelo seu estilo simplista, e sua pungente e, por vezes inesperados, assumir as frases em que se fundamentam. Explodingdog foi iniciado em 2000.
Sam Brown publicou limitados livros de sua explodingdog ilustrações. Ele também vende merchandise com explodingdog ilustrações e desenhos, gravuras do diário para ajudar a compensar os custos. Ao longo dos anos tem havido uma série de diferentes projectos artísticos inspirados por explodingdog. Estes sites costumam utilizar o mesmo “apresentado por acaso as pessoas, e selecionados para a inspiração” conceito que foi pioneiro no explodingdog.
Siron Franco
Tudo iniciou-se quando começou a frequentar o Estúdio ao Ar Livre, supervisionado por dois pintores locais, D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa. Tanto Oliveira como Gouvêa permitiram que o jovem Siron tivesse contato com materiais que na sua juventade mais simples não teve condição. É provável que houvesse sido no Estúdio ao Ar Livre onde pela primeira vez encontrou o pintor Confaloni, frade que fundou a primeira escola de Belas Artes em Goiânia, transformada, mais tarde, em departamento da Universidade Católica do Estado.
Confaloni foi o primeiro mentor do artista, proporcionando um local de trabalho e o material necessário, apresentando-o a colecionadores locais e pondo-o a par dos diversos salões existentes que, na verdade, eram praticamente a única coisa com que os pintores brasileiros podiam contar na década de 60. Apos esse primeiro contato e envio de seus trabalhos a galerias, concursos e exposições Siron começou a fazer seu nome.![]()
Ele ocupa uma posição de protagonista no cenário artístico brasileiro, conquistada sem fazer parte de grupos ou de movimentos teóricos como os que se sucederam ao longo de algumas décadas a partir dos anos cinquenta, quando eclodiram as linhas de pensamento artístico que balizaram a produção de arte no Brasil, durante aquele período e por uma longa temporada que estendeu quase até meados dos anos oitenta.
Siron teve uma trajetória incomum como artista, seja porque ela acontecia completamente fora dos eixos tradicionais de influência cultural ou porque diferia, essencialmente pela originalidade de sua pintura, da expectativa que era disseminada como orientação aceitável ou previsível pelas escolas, pela mídia ou pela moda, e que fora adotada por muitos artistas
sintonizados com essas vertentes.
Naturalmente curioso e um voraz observador do cotidiano que o cerca, tornou-se capaz de criar um rico imaginário como poucos artistas o fizeram – graças a um trabalho fervoroso dedicado à pintura e ao desenvolvimento de uma técnica muito particular que o pintor foi aprendendo de maneira sempre mais aprofundada em sua concentração diária e na disciplina solitária de seu atelier.
Siron não é um pintor de cores folclóricas, nem de amenas paisagens, de frutas exóticas ou de figuras decorativas que evoquem paragens nostalgicamente rurais. Ele não é inofensivo. Ele quer participar e exige a nossa participação também. Ferreira Gullar sugere que Siron nos convida a olhar a sua pintura como se fosse a primeira vez que vemos uma pintura e é com esse olhar curioso e desarmado que devemos fazê-lo. Certamente teremos um grande impacto e um prazer de idêntica intensidade.
